A maior fraude eleitoral

Os últimos dias foram suficientes para desmascarar o oportunismo eleitoral dos golpistas em Gravataí. As constantes brigas entre eles mostraram o verdadeira objetivo do golpe: a apropriação da máquina pública para garantir espaços e financiamento para as eleições de outubro.

O grupo que promoveu o golpe em outubro de 2011 era uma junção de interesses individuais inconfessos. Capitaneados por Márcio Souza, Stasinski e Marco Alba, usavam o nanico PV como marionete. Por esse motivo, os ex-petistas foram para partidos diferentes. Assim, garantiam a influência em vários pontos e, com Marco Alba, criavam a liga para o grupo golpista.

Os acordos não duraram muito. Anabel foi a primeira a ser tirada e acusou os golpistas de só se preocuparem com as eleições e não organizarem a cidade. Como o interesse dela é o mesmo (só pensa em sua própria eleição) queria que os outros tocassem a máquina, enquanto ela “surfava nas boas”. Foi a primeira briga interna dos golpistas. Naqueles dias, o que se lia na imprensa era que “só fica no governo quem apoiar Marco”. Já o PSB dizia “nas reuniões só se fala em eleições”. Ou seja, só queriam vitrine para enganar o povo.

Agora, os verdes desistiram de ser marionetes e posam de gente grande. Aproveitam-se de dois fatos: 1) de terem crescido com a atração de alguns desesperados com o desemprego; 2) de terem aproveitado a amizade com Márcio-Stasinski para se aproximar do campo majoritário do PT, trocando seu apoio em Porto Alegre por cargos no estado. E tentam sair pela esquerda.

O curioso são as trocas de acusação entre eles. Vendo o que dizem uns dos outros, é de se perguntar o que estão fazendo com nossa cidade:
“é melhor com ele fora” – sobre Ávila
“este governo é pior que o anterior” – sobre o PMDB
“ninguém sabe quem decide que rua vai ser asfaltada” – sobre os interventores
“é um autoritário” – sobre o interventor que se acha prefeito
“o povo estava certo em não eleger o PMDB em 15 anos” – quem não sabia?
“o governo que está aí (…) não é caminho para a cidade” – sobre o PMDB

Nossa cidade virou isso: brigas constantes, disputas de interesses, achaque de fornecedores, favores para amigos e acusações recíprocas. Foi para isto que roubaram o voto dos Gravataienses. Brigam por espaço enquanto a cidade é tomada pelo mato. Enquanto as filas saem das noites para dar de cara com postos de saúde sem médicos. Enquanto a educação padece e as crianças abandonadas ficam mais abandonadas.

O governo dos golpistas está podre. Passam os dias tramando e comercializando apoios e traições entre eles. Não apresentam nenhum projeto para a cidade por que não tem nenhum! Seu interesse é apenas dividir o espólio de uma cidadania que querem matar.

Os que saem atiram nos que ficam, tentando esconder que são tudo “farinha do mesmo saco”. Participaram do mesmo golpe mentiroso, urdido nas madrugadas ou em restaurantes afastados, que visava apenas se apoderar da máquina pública, já que no voto, não conseguiam. Nas próximas eleições virão com pele de cordeiro e aquele discursinho surrado de “popular”, cada um tentando enganar mais que o outro.

Agora, reconhecem, na maior cara de pau, que a cassação foi um ato político para “tirar o PT” da Prefeitura. Não importavam os famosos 11 pontos, as 11 farsas. Tudo o que disseram de Rita e seu governo era cortina de fumaça para suas intenções espúrias e safadas. O que importava era somente tirar o PT e seu projeto, como foi confessado no CG de 25 de maio, p. 6.

Para quem ainda tinha dúvidas, está desmascarada a maior fraude eleitoral de nossa história! Surrupiaram violentamente aquilo que não conseguiam por bem.

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A cultura conquistou espaços e deve mantê-los

A cultura da cidade conquistou diversos espaços para sua organização e disseminação na população durante o governo de Rita e Cristiano. “A construção de espaços é um dos elementos vital para reter talentos e estimular a paixão pelas diversas modalidades culturais na cidade”, afirma Amon Costa, diretor-presidente da Fundarc de 2009 a 2011, que coordenou a equipe responsável pelos avanços. Veja abaixo, o relato de Amon.

MAIS ESPAÇOS PARA A CULTURA
Nossa gestão foi responsável por reformar o Museu Municipal e reabri-lo, reorganizando sua equipe, depois de 11 anos fechado à comunidade em decorrência de um incêndio. Muito além de reabrir um espaço físico, também reestruturamos o Departamento de História, com uma ampla reforma legal;
Elaboramos, debatemos, planejamos e construímos o Quiosque da Legalidade/Cultura, um dos maiores e melhores aparelhos culturais do município, agora disponível a toda a cidade;
Em 2011, licitamos e contratamos a reforma do Cineteatro, assinando o contrato em outubro. Esta importante obra ficou parada em função da dificuldade em convencer a maioria da Câmara de Vereadores para liberar um recurso extra no orçamento da Fundarc. O projeto assinado em outubro de 2011 previa acessibilidade universal e melhores condições de trabalho para os artistas e segurança para os usuários.
Instalamos telecentro com 10 computadores, dois mil livros e mobília especializada na Biblioteca Pública Municipal, com recursos do Governo Federal a fundo perdido. Além disso, investimos mais de R$ 7 mil reais em novos livros;
Reformamos completamente a Fonte do Forno, um dos bens tombados pelo patrimônio histórico da cidade;
Criamos o projeto Parque Aberto, que deu vivacidade e movimento ao Parque de Eventos, que estava subutilizado. Organizamos encontros de vários segmentos sociais e culturais como retiros da igreja católica, bandas gospel, som automotivo, comunidade cigana, evangélicos, juventude, hip hop, música, escoteiros, montain bike (em parceria com a Secretaria do Esporte), projeto galpão de todos e acrobacia de motos, dentre outros.
Reativamos a Banda Municipal, que, pela primeira vez em sua história, teve um local próprio para ensaio na Subprefeitura da Morada do Vale. Adquirimos instrumentos novos e recrutamos mais músicos. O estabelecimento da banda num bairro popular foi uma oportunidade de aproximar este ramo musical da comunidade, conquistando adeptos;
Organizamos diversos eventos e todos eles dialogavam com as feiras da economia popular e solidaria, fortalecendo os laços entre cultura a artesanato, eventos de massa e produtos locais de lanches e comidas.
“Foram quase três anos de muitas realizações na Fundarc, realizações que deixaram as bases para novos avanços, que devem ser exigidos pela comunidade cultural”, destaca Amon.

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Escola Técnica é conquista de Gravataí

Por Ursula Jaeger Fonseca, Supervisora Escolar e Secretária de Educação no Governo Rita Sanco

Durante os meus 26 anos de magistério sempre trabalhei com a verdade, mesmo que muitas vezes ela não fosse exatamente o que muitos gostariam de ouvir. Neste período de atuação na educação, que tanto me orgulho, atuei como professora da Pré-Escola, dos Anos Iniciais, diretora de escola, conselheira do Conselho Municipal de Educação, supervisora escolar, assessora pedagógica da Secretaria Municipal de Educação e, no Governo Rita/Cristiano, de 2009 até outubro de 2011, quando o golpe se instalou na nossa cidade, como gestora da Secretaria Municipal de Educação. Começo falando um pouco da minha caminhada para chegar à conquista de algo de extrema relevância para a Cidade de Gravataí, a instalação da primeira Escola Técnica.
No ano de 2009, estivemos em Brasília em reunião com o Ministério da Educação, na pessoa do Sr. Eliezer Pacheco, então Secretário de Educação Profissional e Tecnológica, dando início ao trabalho para a instalação de uma Escola Técnica em nosso Município. À época, fui informada acerca dos trâmites do Governo Federal para a expansão das Escolas Técnicas e fui informada da real possibilidade de também sermos contemplados. O que ninguém entendia em Brasília era por que Gravataí, por todas suas características, nunca havia feito nada para isso.
O início das tratativas para colocar Gravataí no cenário da disputa da expansão das Escolas Técnicas, começou com a possibilidade do município ofertar curso técnico vinculado ao Instituto Federal de Porto Alegre. Mas nosso objetivo maior sempre foi o de instalar um Campus de Nível Superior no Município, tendo em vista nossa realidade de franco processo de crescimento em todas as áreas, tanto comércio e serviços, como indústria. A necessidade de preparar os trabalhadores para este novo momento econômico e social, aliada a disposição de disseminar conhecimentos avançados em nosso jovens eram objetivos vivos. Mercado de Trabalho e Pesquisa Acadêmica poderiam alavancar a vida da cidade num ciclo virtuoso em futuro não muito distante.
Lutamos sim, porque “ Gravataí merece muito mais”. A base do projeto de educação que defendemos parte da convicção de que ela é um direito de todos e que, além de oferecer à população vagas nas escolas, deve almejar um valoroso programa educativo baseado no conceito de cidadania. A cidade e os cidadãos devem se orgulhar da escola que muda a cara da cidade.
Encerro, deixando claro, explícito, que, se hoje, Gravataí recebe um Campus, foi por todo esforço, luta e perseverança do trabalho iniciado em 2009. Nestes quase três anos em que coordenamos os trabalhos pela conquista da Escola, demos passos importantes, concluindo com o anúncio da Presidenta Dilma em setembro passado.
Agora, podemos dizer: a Escola Técnica é nossa, é da população Gravataiense, é conquista de um Governo Popular, que pensa e que trabalha por todos, mas em especial para aqueles que mais precisam.
O governo da Prefeita Rita Sanco mais uma vez mostra seus frutos, por ter acreditado no trabalho de sua equipe e no crescimento dessa cidade!
Gravataí fez o que o futuro exige!

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Sociedade organiza Conferência da Pessoa com Deficiência

O Conselho Municipal de Direitos das Pessoas com Deficiências e entidades sociais da cidade estão organizando a Conferência Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência. O evento será nesta sexta, dia 25, no Gensa, com início às 8:30 horas. A Conferência é aberta a qualquer pessoa interessada no tema, segundo informou a presidente do Conselho Municipal, Irani Pereira.

Já Míriam Barbosa, que foi Assessora de Políticas para Pessoas com Deficiências durante o governo Rita Sanco e hoje representa a ADVA (Associação de Deficientes Visuais de Gravataí) no Conselho Municipal, o momento é importante para afirmar políticas inclusivas em todas as áreas das políticas públicas.

No que diz respeito a execução de ações inclusivas pelos órgãos públicos, tivemos grandes avanços nos últimos anos, porém a sociedade necessita vencer o maior de todos os obstáculos: a barreira da atitude, ou seja, o preconceito e a falta de sensibilidade perante às questões relativas às pessoas com deficiência, defende Míriam.

As Conferências de Direitos tem como parâmetro norteador suscitar o debate sobre as diretrizes legais das políticas públicas do segmento, mas também “precisamos romper paradigmas e superar velhos conceitos, como a suposta impossibilidade da autonomia da Pessoas com Deficiência”, alerta Míriam.

Na Conferência do próximo sábado, serão destacadas também a empregabilidade e a qualificação profissional através da educação inclusiva de forma a preparar adequadamente todos e todas as pessoas com deficiências ao pleno exercício da cidadania. Outro tema a ser tratado, diz respeito a importância da cultura no cotidiano das pessoas, fundamental ao nosso desenvolvimento social e intelectual.

Míriam, que participou de encontro setorial nacional em abril, defende que “é imprescindível estimularmos a participação efetiva de diversos segmentos na Conferência, de pessoas com e sem deficiência. Desta forma estaremos realizando concretamente o processo de inclusão dos “diferentes” na sociedade contemporânea”.

Ao final da Conferência, serão escolhidos delegados para a Conferência Estadual.

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Conselho de Políticas encerra reuniões ordinárias

O Conselho de Políticas Públicas instituído pela Prefeita Rita Sanco encerrou sua rotina de reuniões ordinárias. Desde novembro, quando começou a funcionar reunindo secretários, assessorias, subprefeitos e vereadores, o Conselho reuniu todas as semanas, inclusive no período de verão.
Nestes momentos, foi possível fazer uma análise mais precisa do desmonte que os golpistas estão promovendo na Prefeitura e de suas brigas internas, que já promoveram dois rachas por motivos bem pouco nobres.
Boa parte das denúncias e mobilizações populares que foram noticiadas nestes meses de intervenção golpistas partiu da discussão no Conselho.
Agora, com o início do período eleitoral, o Conselho decidiu suspender as reuniões semanais ordinárias para aumentar o foco na campanha, ficando todos os seus membros preparados para reuniões extraordinárias.
A seguir, reproduzimos mensagem de agradecimento enviada pela Prefeita Rita aos membros do Conselho, bem como respostas das companheiras Rejane Oliveira e Adelaide Klein.

Companheiros e Companheiras

Neste momento em que encerramos um ciclo de nosso trabalho, com as reuniões do Conselho de Políticas, quero agradecer aos secretários e secretárias, assessores e assessoras, subprefeitos e subprefeita de nosso governo, que estiveram conosco neste período, assim como aos vereadores e à vereadora.
Nestas reuniões semanais, vocês simbolizaram a esperança do povo no retorno de nosso projeto de sociedade nova. Conversar com vocês todas as semanas nos trouxe forças e a certeza de que estivemos no caminho certo, este tempo todo.
A disposição de cada um de vocês garantiu o funcionamento das Caravanas, a distribuição dos jornais, a popularização do blog, a disputa nas redes sociais e na imprensa, a defesa imediata de nosso trabalho aos ataques da direita, enfim, o necessário contraponto ao golpe e as suas mentiras.
Nossa organização, atuação e vigilância permanente impediram que os golpistas se consolidassem como alternativa para o povo. E isto será fundamental para nossa vitória em outubro.
Agora, vamos para nova tarefa: a eleição de vereadores, vereadoras e do companheiro Bordignon, para retomarmos o alinhamento com tudo aquilo que desejamos para Gravataí, para o Rio Grande e para o Brasil. Vamos com a mesma disposição que nos motivou, seja no governo, seja nas reuniões do Conselho.

Um forte abraço e obrigada por tudo!
Rita Sanco

Obrigada a ti, Rita, que mesmo nos momentos em que tinhas o direito de fraquejar se manteve firme e à frente. Dirigente como sempre. Foi um prazer e uma honra te ajudar de alguma forma a conduzir nosso governo. Acho que esta história ainda não acabou e quero ter dois finais felizes: que a justiça seja feita contigo e com o Cristiano e que em outubro vençamos a eleição.

Um abraço de quem, e tu sabes, sempre podes contar.
REJANE OLIVEIRA

Realmente, a Rejane falou tudo. Penso que todas/os nós nos orgulhamos muito de ter feito parte deste governo, que com muita tranquilidade podemos falar que foi o governo mais transparente, que mais trabalhou pela impessoalidade, governo no qual nós aprendemos a discutir em
conjunto os problemas e buscar em conjunto as soluções, e, no entanto, o povo, especialmente a oposição não estavam preparados para um novo modo de governar e preferiram o velho modo de governar, com favorecimentos próprios, com as velhas indicações, com as obras só para os seus achegados, com privilégios para poucos, sem discussões estruturais, mas tenho certeza que o tempo mostrará para todos quem estava certo, creio que ainda neste ano, aliás os pintos verdes já começam a bater no governo dizendo que por isso o povo não elegeu nestes 15 anos eles, por incompetência, só chegaram ao poder pelo golpe.
Então desejo realmente a todos e todas que nossa missão não termine aqui, mas sim nos empenhemos de fato para a retomada desta construção que foi interrompida por um tempo, para nosso fortalecimento tão somente.
Quanto a Rita e o Cristiano…. contem sempre com a nossa amizade, apoio e confiança!!!!

Abraços de fraternura!!
Adelaide Klein

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O PT não pode acomodar

Por Olívio Dutra

Sempre fui desvinculado organicamente de estruturas políticas antes e, depois, dentro do PT. Não reivindico isso como virtude, mas não é tampouco um defeito, talvez uma limitação. Venho da vertente sindicalista que ajudou a fundar o partido.Um balanço do PT, como partido de esquerda, socialista e democrático, tem de vê-lo como parte da luta histórica do povo brasileiro, em especial dos trabalhadores, na busca de ferramentas capazes não só de mexer, mas de alterar a estrutura de poder do Estado e sociedade brasileiros marcada por privilégios baseados no enorme poder político, econômico, cultural de uma minoria. O PT nasceu para lutar por uma sociedade sem explorados e sem exploradores e radicalmente democrática.

Antes do PT, ainda no século XIX, surge o PSB, o primeiro partido de esquerda do Brasil republicano. O movimento operário anarquista das primeiras décadas do século XX era avesso à ideia de um partido. O PC surge em 1922. O PT aparece numa conjuntura de enorme agitação política reprimida por uma ditadura militar, fruto do golpe de 1964 que recompôs as elites contra um populismo que já não controlava mais as lutas sociais.

Este populismo, iniciado por Vargas e que inspira Jango e Brizola, era dirigido por gente ligada ao latifúndio “esclarecido”, um pouco na tradição dos republicanos gaúchos- Júlio de Castilhos, Borges de Medeiros – que compartilhavam a ideia de que política não é para qualquer um, que o povo precisa de alguém que o cuide.

O PT nasceu com a ideia de que o povo devia ser o sujeito de sua história, o que marcou os seus primeiros passos. Mas, à medida em que conquistou mandatos em vários níveis, a coisa foi ficando “fosca”, suas convicções e perspectivas foram perdendo nitidez. Houve uma acomodação na ocupação das máquinas institucionais (inclusive no Judiciário).
Diante desse processo o PT não se rediscutiu, não discutiu os efeitos dessa adaptação à institucionalidade de um Estado e de uma sociedade que, para serem democráticos, precisam ser radicalmente transformados.
Assim, o PT cresce quantitativamente – em 2011 temos três vezes mais diretórios municipais, passamos de mil a 3 mil, em função de eleições e do fato de o partido estar no governo federal e em governos estaduais, municipais, além de ter eleito centenas de parlamentares nos três níveis de representação.
E, bem mais que as ideias ou mesmo o programa, o que mobiliza o partido, ultimamente, são as eleições internas e externas. Somos todos responsáveis por isso: a política como um “toma lá, dá cá”, confundindo-se com negócios, esperteza, e a ideia de tirar proveito pessoal dos cargos públicos conquistados. E tem gente chegando no partido para isso, favorecidos pelo discurso da governabilidade mínima com o máximo de pragmatismo político.

Mesmo com os dois mandatos de Lula, demarcatórios na história de nosso país, o Estado brasileiro não foi mexido na sua essência. O 1° mandato foi de grande pragmatismo, onde a habilidade de Lula suplantou o protagonismo do Partido e garantiu, para um governo de composição, uma direção, ainda que com limites, transformadora da política. A política de partilhar espaços do Estado com aliados políticos de primeira e última hora de certa forma já vinha de experiências de governos municipais e estaduais mas ali atingiu a sua quinta essência. No 2o mandato, ao invés de o PT recuperar o protagonismo, diluiu-se mais um pouco, disputando miríades de cargos em todos os escalões da máquina pública.

Quanto à Dilma, ela é um quadro político da esquerda. Seu ingresso no PT, honroso para nós, não foi uma decisão fácil para ela, militante socialista do PDT e sua fundadora.
O PDT estava no governo da Frente Popular (PT, PDT, PSB, PC, PC do B) no RS. Veio conosco no 2° turno. No 1° turno sua candidata tinha sido a ex-senadora Emília Fernandes. A relação do Brizola com o PT e com nosso governo nunca foi tranquila. Tive de contornar demandas descabidas para criar secretarias para abrigar pessoas de sua indicação. Lembro o quanto lutamos pela anistia e volta dos exilados ainda durante a ditadura. Ocorre que em 1979, quando Brizola voltava do exílio, nós, os bancários de Porto Alegre – eu era presidente do sindicato da categoria – estávamos em greve. Caiu a repressão sobre nós com intervenção no sindicato e prisão de lideranças. Brizola permaneceu em São Borja no aguardo de que, com a prisão dos dirigentes, a greve acabasse. Veio até Carazinho, mas como a greve, apesar da repressão, não terminara, voltou para São Borja. A categoria tinha a expectativa que ele, pelo menos, desse uma declaração contra a repressão ao movimento. Não se manifestou.

Quando do governo da Frente Popular, em decorrência de o PT e PDT terem candidaturas opostas à Prefeitura de POA (nosso candidato, eleito, foi o Tarso Genro), Brizola, como presidente nacional do PDT, fez pressão para que trocássemos os secretários pedetistas ligados ao “trabalhismo social”: Dilma, Sereno, Pedro Ruas e Milton Zuanazzi, caso contrário o PDT deixaria o governo. Não concordamos. Eles foram mantidos nos cargos e com plena liberdade para se decidirem sobre sua vinculação partidária. Todos eles travaram uma discussão intensa nas instâncias do PDT e deliberaram desfiliarem-se e, posteriormente, após nova discussão interna, desta vez nas instâncias do PT, filiarem-se ao nosso partido. A Dilma, à época em que reabrimos a negociação sobre os subsídios, favores tributários e renúncia fiscal para a Ford, estava ainda no PDT e, como Secretária de Minas e Energia do nosso governo, participou da construção da decisão que, séria, responsável e republicanamente tomamos. Sua postura determinada nessas e em outras circunstâncias têm o nosso reconhecimento, respeito e admiração.

Ela tem clareza sobre como funciona o Estado e como deveria funcionar, sob controle público, para ser justo, desenvolvido e democrático mas, a composição do governo é um limitador e ela não vai poder alterar as estruturas arcaicas e injustas do Estado brasileiro, coisa que o próprio Lula, com toda sua historia vinculada às lutas sociais das últimas décadas, não conseguiu fazer. Para mexer nisso, tem que ser de baixo para cima!

Então aí está o papel do partido que não pode se acomodar. Nós, os petistas, nos vangloriamos de feitos em prefeituras, governos estaduais e federal. Mas, criamos mais consciência no povo para que se assuma como sujeito e não objeto da política?

Nas eleições fala-se em “obras” e não se discute a estrutura do Estado, como e quem exerce o poder na sociedade e no estado brasileiros, os impostos regressivos para os ricos e progressivos para os pobres, as isenções, os favores tributários, a enorme renúncia fiscal. Tem prefeitura do PT que privatiza a água, aceitando o jogo do capital privado e a redução do papel do estado numa questão estratégica como essa.

O PT não se esgotou no seu projeto estratégico, mas corre o risco de se tornar mais um partido no jogo de cena em que as elites decidem o quinhão dos de baixo preservando os privilégios dos de cima. Nosso partido tem de desbloquear a discussão de questões estruturais do estado e da sociedade brasileira da disputa imediata por cargos. Essa discussão deve ser feita não apenas internamente, mas com o povo brasileiro.

Realizar Seminários onde se discuta até mesmo o papel e o estatuto das correntes internas. Seminários com os lutadores sociais para discutir como um o partido com nossa origem e compromisso pode governar transformadoramente sem se apequenar no pragmatismo político.

A lógica predominante, diante das eleições do ano que vem, é de governarmos mais cidades, mas qual a cidade que queremos? A imposta pela indústria automobilística, desde os tempos de JK, com ferrovias privatizadas e sucateadas e o rodoviarismo exigindo que o espaço urbano se esgarce e se desumanize para dar espaço para o automóvel particular? Onde as multinacionais se instalam com as maiores vantagens do mundo e as cidades viram garagens para carros, onde túneis, viadutos e passarelas, cuja capacidade se esgota em menos de 10 anos, tecem teias de concreto que mais aprisionam do que libertam o ser humano?

O PT deve refletir sobre suas experiências de governar as cidades. São muitas e nenhuma definitiva. O Orçamento Participativo não foi radicalizado ao ponto de ser apropriado pela cidadania como ferramenta sua para controle não só de receitas e despesas, verbas para obras e serviços, no curto prazo, mas sobre a renda da cidade, sua geração e o papel do governo na sua emulação e correta distribuição social, cultural, espacial, econômica e política. O Orçamento Participativo tem que ser pensado não como uma justificativa para a distribuição compartilhada de poucos recursos mas como gerador de cidadania capaz de, num processo de radicalidade democrática crescente, encontrar formas de erradicar o contraste miséria/riqueza do panorama de nossas cidades.

A crise econômica mundial está longe de ser debelada e os países ricos têm enorme capacidade de “socializar” o pagamento dela com os países pobres. No chamado Estado de Direito Democrático o ato de governar é resultado de uma ação articulada e interdependente entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Ocorre que na sociedade capitalista o Poder Econômico, que não está definido na Constituição, é tão poderoso e influente quanto todos aqueles juntos. Portanto, a confusão entre governo e esse poder “invisível” privatiza o Estado e é caldo de cultura para a corrupção.

Como presidente de honra do PT-RS tenho cumprido agenda partidária, fazendo roteiros, visitando cidades, participando de atos de filiações, ouvindo as lideranças de base e discutindo o PT. Sinto-me provocado positivamente com esta tarefa.

Mas na estrutura que existe hoje o Partido é cada vez mais dependente, inclusive financeiramente, dos cargos executivos e mandatos legislativos que vem conquistando. É difícil, pois, uma guinada, sem que haja pressão debaixo para cima sobre as direções , correntes, cargos e mandatos. Assim como está o PT vai crescer “inchando”, acomodando interesses. A inquietação na base quanto à isso ainda é pequena mas é sinalizadora de que a luta para que o PT seja um partido da transformação e não da acomodação vale a pena.

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O be-a-bá do público e do privado

Por Ingrid Wink – Mestre em Educação/UFRGS

Recentemente, Gravataí tem sido palco (literalmente) de junções do interesse público com o interesse do poder privado. O que significa isso, afinal de contas? Em primeiro lugar, isso pode significar relações obscuras aos interesses individuais privados em detrimento do interesse coletivo da população. Tendo em vista que as relações obscuras são ilegais, e necessitam de provas para serem confirmadas, trabalhemos somente com aquilo que é evidente e comprovado: a relação promíscua entre público/privado.
O bem público diz respeito ao interesse geral do povo de um determinado lugar. O bem privado diz respeito ao interesse de um indivíduo ou um grupo limitadíssimo de indivíduos. Quando o poder público, ou seja, o Estado, se propõe a misturar estes recursos, significa, por sua vez, que o atendimento ao interesse público, transparente e impessoal torna-se refém do interesse de um pequeno grupo. Com isso, o Estado perde sua lógica e abre precedentes já conhecidos pelo povo brasileiro, a famosa “corrupção”. Governa para pequenos grupos e deliberam ao grande grupo da população o que restar.
No caso de Gravataí podemos dar o exemplo de “resto” considerando políticas públicas vazias como pintura de cordão da calçada de locais estrategicamente visíveis. Poderíamos ainda citar outros exemplos. Mas não é o mais importante neste texto. O mais importante de fato, é a relação que se constrói entre público/privado na medida em que cada vez mais o município de Gravataí fica devendo “algo” à grandes empresas ou grandes “Grupos”. Estes grupos por sua vez, trabalham para ganhar uma coisa chamada lucro. A prefeitura, como órgão público, trabalha para uma lógica chamada “gestão dos recursos do povo para o povo”. Se os grupos que trabalham para ganhar lucro, começam a pagar obras públicas e eventos públicos, logo… tcharãm! Estão pensando no povo? São grupos muito preocupados com o bem estar do cidadão gravataiense? São empresas dotadas de fortíssimas responsabilidades sociais? Não. Continuam pensando no lucro. Quem, neste caso, está conduzindo tudo errado na lógica do público e do privado? Os gestores. A grande culpa é dos gestores. O capitalista segue capitalista e nunca negou que é capitalista. Porém, os gestores públicos poderiam ao menos disfarçar que estão servindo aos capitalistas e disfarçar suas “outras” intenções demonstrando um mínimo de compreensão do que significa organizar verba pública, patrimônio público e bem público. Neste despreparo como gestores e “ultrapreparo” como capitalistas, nossa conclusão é só uma e não outra, de que público e privado na condução ética política de Gravataí, vive em pleno estado de promiscuidade. A não ser, é claro, que os capitalistas dos grupos supracitados tenham acordado nestas últimas semanas muito solidários com a comunidade gravataiense… Já diz o ditado: “de graça, nem injeção na testa…”

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