O be-a-bá do público e do privado

Por Ingrid Wink – Mestre em Educação/UFRGS

Recentemente, Gravataí tem sido palco (literalmente) de junções do interesse público com o interesse do poder privado. O que significa isso, afinal de contas? Em primeiro lugar, isso pode significar relações obscuras aos interesses individuais privados em detrimento do interesse coletivo da população. Tendo em vista que as relações obscuras são ilegais, e necessitam de provas para serem confirmadas, trabalhemos somente com aquilo que é evidente e comprovado: a relação promíscua entre público/privado.
O bem público diz respeito ao interesse geral do povo de um determinado lugar. O bem privado diz respeito ao interesse de um indivíduo ou um grupo limitadíssimo de indivíduos. Quando o poder público, ou seja, o Estado, se propõe a misturar estes recursos, significa, por sua vez, que o atendimento ao interesse público, transparente e impessoal torna-se refém do interesse de um pequeno grupo. Com isso, o Estado perde sua lógica e abre precedentes já conhecidos pelo povo brasileiro, a famosa “corrupção”. Governa para pequenos grupos e deliberam ao grande grupo da população o que restar.
No caso de Gravataí podemos dar o exemplo de “resto” considerando políticas públicas vazias como pintura de cordão da calçada de locais estrategicamente visíveis. Poderíamos ainda citar outros exemplos. Mas não é o mais importante neste texto. O mais importante de fato, é a relação que se constrói entre público/privado na medida em que cada vez mais o município de Gravataí fica devendo “algo” à grandes empresas ou grandes “Grupos”. Estes grupos por sua vez, trabalham para ganhar uma coisa chamada lucro. A prefeitura, como órgão público, trabalha para uma lógica chamada “gestão dos recursos do povo para o povo”. Se os grupos que trabalham para ganhar lucro, começam a pagar obras públicas e eventos públicos, logo… tcharãm! Estão pensando no povo? São grupos muito preocupados com o bem estar do cidadão gravataiense? São empresas dotadas de fortíssimas responsabilidades sociais? Não. Continuam pensando no lucro. Quem, neste caso, está conduzindo tudo errado na lógica do público e do privado? Os gestores. A grande culpa é dos gestores. O capitalista segue capitalista e nunca negou que é capitalista. Porém, os gestores públicos poderiam ao menos disfarçar que estão servindo aos capitalistas e disfarçar suas “outras” intenções demonstrando um mínimo de compreensão do que significa organizar verba pública, patrimônio público e bem público. Neste despreparo como gestores e “ultrapreparo” como capitalistas, nossa conclusão é só uma e não outra, de que público e privado na condução ética política de Gravataí, vive em pleno estado de promiscuidade. A não ser, é claro, que os capitalistas dos grupos supracitados tenham acordado nestas últimas semanas muito solidários com a comunidade gravataiense… Já diz o ditado: “de graça, nem injeção na testa…”

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