Brasil quebra paradoxo educacional

Até poucos anos, a relação da sociedade brasileira com a educação pública era um paradoxo.

–                    Os pobres utilizavam o ensino fundamental público e, às vezes, iam até o nível médio. Universidades, nem pensar.

–                    A classe média também utilizava o ensino público, às vezes, o privado, e geralmente até o nível médio. Universidades, só privadas, pois o processo de seleção feroz  os tirava das universidades públicas.

–                    Já os ricos passavam a vida criticando o ensino público fundamental e médio, de onde guardavam enorme distância, mas disputavam à unhas as poucas vagas nas universidades PÚBLICAS.

Ou seja, o ensino público em níveis fundamental e médio, tido como de pouca qualidade, era reservados aos pobres, mas as universidades públicas, a maioria de excelência, era reservada aos ricos, que podiam se preparar melhor para o funil do vestibular e amealhar as vagas.

O futuro dos estudantes seguia uma conseqüência óbvia. Os mais pobres, que abandonavam cedo os estudos, entrando no mercado de trabalho, ocupavam as vagas menos qualificadas e menos remuneradas, reforçando o ciclo vicioso de pauperização da classe. Com a classe média, a situação não era muito diferente. Apenas conseguiam colocações menos penosas e um pouco melhor remuneradas, mas o ciclo não era quebrado. Já os filhos da classe rica saiam da faculdade para disputar as melhores vagas na área privada e na área pública, com as menores cargas de trabalho e os melhores salários. Para estes, estava fechado o ciclo virtuoso. O paradoxo educacional gerava o abismo sócio-econômico, financiado pelo próprio Estado brasileiro. Ou seja, eram os recursos públicos e as opções dos gestores que perpetuava a situação de fosso social crescente.

Tudo funcionava muito bem. Ricos se preparavam para ser médicos, engenheiros, juízes ou promotores. A classe média se angustiava por um curso técnico e os pobres ocupavam a parte que lhes sobrava, cortando grama, lavando pratos ou recolhendo lixo.

As políticas educacionais criadas desde 2003 (ProUni, Enem classificatório, Sisu, escolas técnicas, etc) aliadas à melhoria das condições sócio-econômicas da parcela de baixo da pirâmide (que já não é mais uma pirâmide…) gerou um movimento importante. De um lado, forte ampliação de escolas técnicas, ampliando as condições de acesso das camadas mais pobres aos empregos de média complexidade. De outro, uma enorme ampliação do acesso às universidades. Isso tem aumentado o tempo médio de escolaridade e a população pobre, principalmente afrodescendente, começa a entrar nos templos da excelência. O governo tem aumentado as vagas, seja em universidades públicas, seja na compra de vagas nas privadas, o que reduz o tempo de espera pela oportunidade no nível superior.

As mudanças seguintes já estão visíveis, quase palpáveis. Os que vem de baixo, antes relegados a cortar grama, agora ocupam espaço nas cátedras de engenharia, direito, medicina, etc. As faculdades estão ficando mais negras e mestiças, como é o Brasil, diga-se de passagem. A disputa pelas melhores colocações no mercado de trabalho público é democratizada. Na área privada ainda há o que avançar, enfrentando o preconceito. E com as melhores colocações no mercado, vem os melhores salários, o que começa a subverter a antiga pirâmide de forma sustentável, perene.

Pela primeira vez, vemos políticas públicas servindo a maioria. E de forma concatenada: complemento de renda, acesso ao ensino, ampliação do emprego. O ciclo virtuoso agora funciona para todos os brasileiros.

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