A Gasolina está baixando. E daí?

Preços em Gravataí, mas têm mais baixos.Nos últimos dias, temos verificado diversos postos de gasolina baixando seus preços até níveis similares àqueles praticados antes dos reajustes que o Governo Federal promoveu na CIDE e PIS/Cofins. Em fevereiro, quando do aumento dos tributos, a gasolina comum alcançou valores por volta de R$ 3,25.

Agora, pouco mais de um mês depois, vê-se que vários postos voltam a praticar valores próximos e até inferiores a R$ 3,00 (R$ 2,97 a R$ 3,03). A guerra de preços entre postos geograficamente próximos já é visível. O que está ocorrendo? O que houve em fevereiro?

Se os preços estão baixando, pode-se inferir que: 1) o repasse feito em fevereiro foi irreal, superdimensionado; ou 2) as margens de lucro estão sendo comprimidas. Na primeira hipótese, o repasse pode ter sido preventivo ou especulativo.

Em qualquer das situações, é possível prever que o aumento de fevereiro gerou uma redução no consumo, levando muitas postos a reduzirem preços para recuperar clientela. Issso trouxe os preços para patamares de equilíbrio, reduzindo, ou a prevenção/especulação ou a margem de lucros.

Em qualquer dos casos, se os preços de vários postos se mantiverem por mais tempo na faixa dos R$ 3,00, fugindo da sempre suspeita combinação de preços no setor, veremos uma redução gradativa dos preços gerais, pois aqueles que estão com preços maiores (pós reajuste) serão obrigados a “ir atrás” de preços mais competitivos.

O que não assegura que a inflação vai baixar, pois outros fatores pressionam-na, principalmente o esforço por aumentar taxas de lucro altas em setores que usam combustíveis como insumo importante. Dito em outras palavras, o aumento de um tributo é repassado imediatamente aos preços, e geralmente em patamares maiores que o aumento em si. O empresário se aproveita da perda de referência do consumidor para buscar instalar-se em novo patamar de receita.

Quando o efeito do aumento cessa (ou se torna pouco relevante frente a outras fatores), nada garante que o repasse “a menor” se verifique, pois o empresário tenderá a manter o preço alto, absorvendo a diferença sob a forma de lucro. Ele faz isso, se aproveitando de um mercado já estabilizado no preço aumentado. A única forma de proteção que o consumidor possui é reduzir a compra, de forma organizada ou não, forçando a baixa dos preços. Ou torcer para alguma intervenção estatal.

Alex Borba dos Santos – Economista

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