Privataria Tucana: os capítulos petistas

O que o livro de Amaury Ribeiro Jr traz sobre o PT em seus capítulos finais? Em qualquer debate sobre privatizações, os petistas bradam alto os exemplos trazidos no livro, A Privataria Tucana. Mas será que todos leram o livro até o final? Os últimos capítulos são dedicados às práticas de algumas personalidades petistas de “primeira linha”.

O livro de Amaury é pródigo em provas sobre todas as maracutaias envolvendo as privatizações feitas pelos tucanos. Dezenas de provas colhidas em processos judiciais, juntas comerciais e investigações promovidas por órgãos públicos brasileirtos e estrangeiros deixam claro que as negociatas promovidas pela tucanagem tornaram bilionários alguns de seus líderes. A verdade é irretorquível.

Mas os últimos dois capítulos são dedicados aos subterrâneos da campanha petista de 2010. De como algumas lideranças petistas, notadamente Rui Falcão e Antonio Palocci, usaram de arapongagem, intrigas e vazamentos seletivos para a imprensa, para minar a campanha de Dilma, derrubar alguns de seus assessores diretos e tentar torná-la refém da república paulista.

O principal alvo, escolhido já no início de 2010, era a agência de comunicação da campanha. Quem coordenava a área era Fernando Pimentel, escolhido pela própria Dilma. A ordem vinda dos paulistas era “varrer quem se aproximasse de Pimentel” (pág. 331). Com isso, pretendiam derrubá-lo junto com a agência escolhida, substituindo-os por Palocci e uma agência paulista, cujos donos eram investigados pelo MPE por fraudes na merenda escolar (pág. 322). Repetidos vazamentos para a Veja e para a Folha de São Paulo são usados para estremecer a campanha e os amigos de trincheira. Seja quando o comentário sobre uma coluna da revista é feito simultaneamente a sua chegada às bancas, como se já fosse de conhecimento prévio (pág. 324), seja na publicação de assuntos totalmente restritos, como uma doença de Helena Chagas (pág 325), seja no vazamento dos salários da equipe de comunicação (pág 334).

O mesmo é feito contra Marcelo Branco, escolhido por Dilma para a área de internet. Branco é vítima de mentiras plantadas na mídia sobre supostas confusões e erros que, na verdade, eram de outras áreas ou nem existiam. Mas a mentira é mais forte que a verdade.

Amaury supõe que esses acontecimentos sejam o motivo da falta de convite à Falcão para a posse de Dilma. “Dilma nunca suportou traição”. E, pode-se imaginar também, para a rápida saída de Palocci de seu ministério, no início do primeiro mandato.

O livro de Amaury nunca foi contestado, nem pelos tucanos privatistas, nem pelos aloprados petistas. Por isso, deve servir de alerta para as práticas dos partidos de esquerda. Ou as pessoas com concepções de esquerda agem como alguém de esquerda, ou se misturam ao conservadorismo e a seus métodos sedutores, enredando-se num caminho sem volta.

Alex Borba dos Santos

Economista

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